Começei a trabalhar no projeto no final de março deste ano como voluntária, já que como estrangeira e recém chegada a morar en Matinhos ainda não tinha residência nem era estudante da UFPR. Mas em meu país, Chile, havia deixado inconcluso os estudos de dança na faculdade e tinha um grande interesse em continuar dançando e aprofundar meus conhecimentos na aréa. Por isso, que o projeto professores dançantes foi uma ótima possibilidade de concretizar meus anseios.
Eu sempre havia dançado, mas nunca havia dado aula. Foi uma experiencia totalmente nova. Começei a trabalhar junto com minha companheira Ana Paula Springer. Fizemos um planejamento pensado para aplicar no contra-turno e nosso objetivo era trabalhar a expressão corporal através da ativação dos sentidos (como tato, olfato, audição e visão), trazendo vários elementos para atingir tal objetivo como música, fotografias, objetos com diferentes texturas, etc. Mas , quando começamos a ir para o colégio nos encontramos com diversas dificuldades, que acabamos mudando completamente nosso planejamento.
Nunca esqueçerei o primeiro dia de aula, era a primera vez que entrava numa escola, chamou- me profundamente a atenção o portão gigante de ferro na entrada sempre cuidado por uma mulher com as chaves do cadeado, ela sabia exatamente quem entrava e saia do colégio. Também me surpreendeu o alarme de mundança de periódo, era realmente análogo ao de um presidio. Os muros feios, velhos e cinzas, sinceramente se fosse estudante não tendria vontade ninguma de estudar lá. Esse día junto com minha companheira fizemos três aulas contínuas tapando buraco de professor ausente.
Nas próximas aulas a gente continuou em nossa proposta de contra- turno, fizemos difusão colando cartazes na escola. Os supervisores difundiam as aulas com os alunos, mas mesmo assim, só conseguimos 4 alunos, até que em algúm momento fomos 4 professoras para 3 alunos. Foi assim que no mês seguinte decidimos trabalhar com uma turma, tentamos procurar conciliar um horário que fosse compativel com nossas atividades, as atividades dos supervisores e com o meio de transporte, já que dentro das normas do projeto, ele não tem que concidir com nossas aulas da faculdade, e, nossas aulas tem que acontecer em alguma aula de arte do supervisor, mas na verdade isso nunca aconteceu, a gente nunca teve apoio dos supervisores. Acredito que durante o ano só os ví umas 3 vezes.
Então o que aconteceu foi que pegamos uma turma com outro professor de arte, que nos cedeu seu horário de aula, foi uma situação incómoda, já que ele quase nunca ia dar aula... quando ia não ficava dentro da sala com nós e não tinha planejamento nenhum feito para o semestre. Mas também não podíamos exigir nada a ele, porque ele não era do projeto e estava fazendo isso como favor.
Foi assim que começamos a aplicar aula todas as segundas-feiras no periódo das 14:20 hrs às 15:10 hrs, na aula de artes do Professor Hipólito. Turma sétimo C.
Foi um processo de 2 meses de aula bem instável, mas também de muito aprendizado, agora estavamos em três pessoas. Ana Paula Springrer, Najara Antunes e eu, juntas procuramos fazer um planejamento de aula que abordasse a expressão corporal por meio de dinâmicas corporais, às vezes foi muito difícil, porque era uma turma numerosa, sem vontade de sair da cadeira sequer, bulicosa e dispersa, às vezes os primeiros 20 minutos de aula eram só para tentar fazer silêncio e que nos escutassem.
Percibiamos que eles não querian sair da cadeira e nem fazer atividades individuais, mesmo alguns que queriam participar ficavam com vergonha da opinião dos outros companheiros. Assim que começávamos a fazer as atividades com os alongamentos e atividades em círculos, todos juntos e com as cadeiras, já que estávamos em 3. Às vezes, dividíamos a turma em grupos pois com menos alunos eles se concentravam mais e eram mais participativos, ficavan com menos vergonha. Até conseguimos ensinar uma pequena sequência de movimentos com cadeiras.
A relação com elos foi muito instável, às vezes alguns ficavam felizes de nos ver chegar e outras nem olhavam para nossa cara. Gostaria de entender o por que desta instabilidade relacional? Acredito que alguma diferença conseguimos fazer, ou pelo menos que 2 ou 3 perceberam que a dança não é só um estilo determinado, mas sim um meio de expressão e de liberação que todo mundo tem direito a conhecer.
Eu sempre havia dançado, mas nunca havia dado aula. Foi uma experiencia totalmente nova. Começei a trabalhar junto com minha companheira Ana Paula Springer. Fizemos um planejamento pensado para aplicar no contra-turno e nosso objetivo era trabalhar a expressão corporal através da ativação dos sentidos (como tato, olfato, audição e visão), trazendo vários elementos para atingir tal objetivo como música, fotografias, objetos com diferentes texturas, etc. Mas , quando começamos a ir para o colégio nos encontramos com diversas dificuldades, que acabamos mudando completamente nosso planejamento.
Nunca esqueçerei o primeiro dia de aula, era a primera vez que entrava numa escola, chamou- me profundamente a atenção o portão gigante de ferro na entrada sempre cuidado por uma mulher com as chaves do cadeado, ela sabia exatamente quem entrava e saia do colégio. Também me surpreendeu o alarme de mundança de periódo, era realmente análogo ao de um presidio. Os muros feios, velhos e cinzas, sinceramente se fosse estudante não tendria vontade ninguma de estudar lá. Esse día junto com minha companheira fizemos três aulas contínuas tapando buraco de professor ausente.
Nas próximas aulas a gente continuou em nossa proposta de contra- turno, fizemos difusão colando cartazes na escola. Os supervisores difundiam as aulas com os alunos, mas mesmo assim, só conseguimos 4 alunos, até que em algúm momento fomos 4 professoras para 3 alunos. Foi assim que no mês seguinte decidimos trabalhar com uma turma, tentamos procurar conciliar um horário que fosse compativel com nossas atividades, as atividades dos supervisores e com o meio de transporte, já que dentro das normas do projeto, ele não tem que concidir com nossas aulas da faculdade, e, nossas aulas tem que acontecer em alguma aula de arte do supervisor, mas na verdade isso nunca aconteceu, a gente nunca teve apoio dos supervisores. Acredito que durante o ano só os ví umas 3 vezes.
Então o que aconteceu foi que pegamos uma turma com outro professor de arte, que nos cedeu seu horário de aula, foi uma situação incómoda, já que ele quase nunca ia dar aula... quando ia não ficava dentro da sala com nós e não tinha planejamento nenhum feito para o semestre. Mas também não podíamos exigir nada a ele, porque ele não era do projeto e estava fazendo isso como favor.
Foi assim que começamos a aplicar aula todas as segundas-feiras no periódo das 14:20 hrs às 15:10 hrs, na aula de artes do Professor Hipólito. Turma sétimo C.
Foi um processo de 2 meses de aula bem instável, mas também de muito aprendizado, agora estavamos em três pessoas. Ana Paula Springrer, Najara Antunes e eu, juntas procuramos fazer um planejamento de aula que abordasse a expressão corporal por meio de dinâmicas corporais, às vezes foi muito difícil, porque era uma turma numerosa, sem vontade de sair da cadeira sequer, bulicosa e dispersa, às vezes os primeiros 20 minutos de aula eram só para tentar fazer silêncio e que nos escutassem.
Percibiamos que eles não querian sair da cadeira e nem fazer atividades individuais, mesmo alguns que queriam participar ficavam com vergonha da opinião dos outros companheiros. Assim que começávamos a fazer as atividades com os alongamentos e atividades em círculos, todos juntos e com as cadeiras, já que estávamos em 3. Às vezes, dividíamos a turma em grupos pois com menos alunos eles se concentravam mais e eram mais participativos, ficavan com menos vergonha. Até conseguimos ensinar uma pequena sequência de movimentos com cadeiras.
A relação com elos foi muito instável, às vezes alguns ficavam felizes de nos ver chegar e outras nem olhavam para nossa cara. Gostaria de entender o por que desta instabilidade relacional? Acredito que alguma diferença conseguimos fazer, ou pelo menos que 2 ou 3 perceberam que a dança não é só um estilo determinado, mas sim um meio de expressão e de liberação que todo mundo tem direito a conhecer.
Segundo do semestre – Colegio Estadual Alberto Gomes Veiga
Nesta segunda etapa trabalhei com meu
companheiro Vinicius Mohr no Colegio Estadual Alberto Gomes Veiga. Nosso
planejamento foi feito para ser aplicado no contra-turno. Nossa idéia era
discutir a questão da identidade brasileira a partir da herança cultural
trazida pela escravidão negra. As aulas seriam teórica- prática. A parte
teórica seria abordada com vídeos e roda de conversas em relação a temática e a
parte prática trabalharíamos com diversas dínamicas corporais com apoio de
recursos que tiveram relação com nosso tema trabalhado, como por exemplo a
música (“A carne”, de Elza Soares), fotográfias e frases.
Nossa idéia era sempre fazer um
trabalho coletivo e reflexivo, já que nos importava muito que os alunos
soubessen o sentido e a razão do que estavam fazendo.
Começamos a ir para a escola em
setembro, nossas primeiras ações foram criar um cataz para difundir as aulas e
distribuir-los pela escola. Também falamos com a diretora Cida, onde
apresentamosles nosso plano de trabalho e o cartaz. Ela sempre foi muito amável
e disposta a trabalhar juntos pelo bom desenvolvimento do projeto. Ela nos
mostrou a escola, e disponibilizou um espaço para realizar a aulas, que ainda
estavam em mantenção, mas que era bem amplo e ótimo para trabalhar dança.Também
nos disponibilizou caixa de som e a sala de audivisuais quando a gente
precisou, além de ela mesma nos ajudar com a difusão das aulas, indo sala por
sala avisar os estudantes e divulgar uma ficha de inscrição para ter um
controle dos alunos que participariam.
Então,
marcamos de fazer nossas aulas todas segundas-feiras, no contra-turno, das
14:00 hrs às 15:00 hrs. Nossa primeira aula foi no dia 23 de setembro. Nesta
tivemos a presença de 6 alunas do primeiro ano do ensino médio.
Iniciamos a aula com uma pequena
apresentação falando sobre o projeto “Professores
Dançantes”, continuamos com uma apresentação de cada um de nós, falando quem
éramos e nossa ligação com a dança.
Para conhecer as alunas fizemos uma
dinâmica com um elástico, as pessoas em roda, uma pessoa pegava a ponta do
elástico, primeiro só falando seu nome e logo passava para outra companheira, e
assim depois de todas falarem seu nome, elas falavam alguma virtude e um
defeito. Depois de todas passarem o elástico ficou uma enorme tela de aranha no
meio da roda, pedimos para asegurarem o elástico em algum lugar da sala de
algúm jeito que a forma do meio da roda não se perdesse. Uma vez conseguido
isso, utilizamos issa estrutura para fazer dinâmicas de expresão corporal
intervindo no espaço criado pelo elástico, tazendo elementos como equilíbrio,
velocidade e níveis.
Também fizemos nesse dia diversas dinâmicas com
cadeiras. Cada um criou dois movimentos
utilizando a cadeira para depois
compartilhar com mais duas companheiras e assim irem somando seus movimentos
até criar uma sequência de movimentos construído pelas três pessoas. Logo que
todos finalizaram cada trio mostrou o criado. As atividades planejadas para o
primeiro dia foram pensadas mais na interação com os alunos para conhecer seus
interesses e afinidades. Foi uma experiência muito boa, já que elas gostaram
muito das actividades. Foram muito participativas e compartilharam com nós seus
interesses no que diz respeito ao que gostariam de aprender em relação a dança.
Nas aulas seguintes, lamentavelmente,
por motivos fora de nosso alcance, como cancelamento de transporte em cima da
hora e feriados da escola, não foi possível dar continuidade no contra- turno,
já que nas aulas posteriores não tivemos nenhum aluno.
Foram várias as aulas onde a gente ia
na escola e ficavamos na sala de professores esperando por alunos, tentamos
diversas acões para chamar a atenção dos alunos a participar de nossas aulas,
tais como voltar a distribuir cartazes pela escola e fazer difusão de sala por
sala, mas nada destes métodos se mostraram producentes.
Na procura de achar soluções, e falando
com a diretora Cida , descubrimos que no mesmo horário uma turma de primeiro
ano de ensino médio tinha aula de educação física e que o professor estava
interesassado em trabalhar dança nas suas aulas. Então fomos falar com ele,
contamos sobre o projeto, a temática que a gente queria trabalhar e nossa
dificultade de não ter alunos para desenvolver o trabalho. Justamente concidiu
que ele dentro dos conteúdos tinha que trabalhar dança e luta, mas que sentia
insegurança, pelo desconhecimento na aréa da dança e que gostaria muito que a
gente trabalhasse em conjunto.
Então, a gente fez uma adaptação em
nosso planejamento, devido a tématica que o professor estava trabalhando e o pouco tempo que tínhamos para desenvolver
tal trabalho, já que o ano escolar estava acabando, decidimos trabalhar com
maculelê, já que sentimos que representava exatamente o interesse de ambas as
partes, pois este é uma manifestação da cultura afro-brasileira em que se
articula dança e luta.























