segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Relatório da Vivência em Dança no Colégio Estadual Alberto Gomes Veiga com estudantes do Ensino Médio - Por Amanda Olmedo Vega

    Começei a trabalhar no projeto no final de março deste ano como voluntária, já que como estrangeira e recém chegada a morar en Matinhos ainda não tinha residência nem era estudante da UFPR. Mas em meu país, Chile, havia deixado inconcluso os estudos de dança na  faculdade e tinha um grande interesse em continuar dançando e aprofundar meus  conhecimentos na aréa. Por isso, que o projeto professores dançantes foi uma ótima possibilidade de concretizar meus  anseios.
    Eu sempre havia dançado, mas nunca havia dado aula. Foi uma experiencia totalmente nova. Começei a trabalhar junto com minha companheira Ana Paula Springer. Fizemos um planejamento pensado para aplicar no contra-turno e nosso objetivo era trabalhar a expressão corporal através da ativação dos sentidos (como tato, olfato, audição e visão), trazendo vários elementos para  atingir tal objetivo como música, fotografias, objetos com diferentes texturas, etc. Mas , quando começamos a ir para o colégio nos encontramos com diversas dificuldades, que acabamos mudando completamente nosso planejamento.
    Nunca esqueçerei o primeiro dia de aula, era a primera vez que entrava numa escola, chamou- me profundamente a atenção o portão gigante de ferro na entrada sempre cuidado por uma mulher com as chaves do cadeado, ela sabia exatamente quem entrava e saia do colégio. Também me surpreendeu o alarme de mundança de periódo, era realmente análogo ao de um presidio. Os muros feios, velhos e cinzas, sinceramente  se fosse estudante não tendria vontade ninguma de estudar lá. Esse día junto com minha companheira fizemos três aulas contínuas tapando buraco de professor ausente.
    Nas próximas aulas a gente continuou em nossa proposta de contra- turno, fizemos difusão colando cartazes na escola. Os supervisores difundiam as aulas com os alunos, mas mesmo assim, só conseguimos 4 alunos, até que em algúm momento fomos 4 professoras para 3 alunos. Foi assim que no mês seguinte decidimos trabalhar com uma turma, tentamos procurar conciliar um horário que fosse compativel com nossas atividades, as atividades dos supervisores e com o meio de transporte, já que dentro das normas do projeto, ele não tem que concidir com nossas aulas da faculdade, e, nossas aulas tem que acontecer em alguma aula de arte do supervisor, mas na verdade isso nunca aconteceu, a gente nunca teve apoio dos supervisores. Acredito que durante o ano só os ví umas 3 vezes.
    Então o que aconteceu  foi que pegamos uma turma com outro professor de arte, que nos cedeu seu horário de aula, foi uma situação incómoda, já que ele quase nunca ia dar aula... quando ia não ficava dentro da sala com nós e não tinha planejamento nenhum feito para o semestre. Mas também não podíamos exigir nada a ele, porque ele não era do projeto e estava fazendo isso como favor.
    Foi assim  que começamos a aplicar aula todas as segundas-feiras no periódo das 14:20 hrs às 15:10 hrs, na aula de artes do Professor Hipólito. Turma sétimo C.
    Foi um processo de 2 meses de aula bem instável, mas também de muito aprendizado, agora estavamos em três pessoas. Ana Paula Springrer, Najara Antunes e eu, juntas procuramos fazer um planejamento de aula que abordasse a expressão corporal por meio de dinâmicas corporais, às vezes foi muito difícil, porque era uma turma numerosa, sem vontade de sair da cadeira sequer, bulicosa e dispersa, às vezes os primeiros 20 minutos de aula eram só para tentar fazer silêncio e que nos escutassem.
    Percibiamos que eles não querian sair da cadeira e nem fazer atividades individuais, mesmo alguns que queriam participar ficavam com vergonha da opinião dos outros companheiros. Assim que começávamos a fazer as atividades com os alongamentos e atividades em círculos, todos juntos  e com as cadeiras, já que estávamos em 3. Às vezes, dividíamos a turma em grupos pois com menos alunos eles se concentravam mais e eram mais participativos, ficavan com menos vergonha. Até conseguimos ensinar uma pequena sequência de movimentos com cadeiras.
    A relação com elos foi muito instável, às vezes alguns ficavam felizes de nos ver chegar e outras nem olhavam para nossa cara. Gostaria de entender o por que desta instabilidade relacional? Acredito que alguma diferença conseguimos fazer, ou pelo menos que 2 ou 3 perceberam que a dança não é só um estilo determinado, mas sim um meio de expressão e de liberação que todo mundo tem direito a conhecer.

 Segundo do semestre – Colegio Estadual Alberto Gomes Veiga 


         Nesta segunda etapa trabalhei com meu companheiro Vinicius Mohr no Colegio Estadual Alberto Gomes Veiga. Nosso planejamento foi feito para ser aplicado no contra-turno. Nossa idéia era discutir a questão da identidade brasileira a partir da herança cultural trazida pela escravidão negra. As aulas seriam teórica- prática. A parte teórica seria abordada com vídeos e roda de conversas em relação a temática e a parte prática trabalharíamos com diversas dínamicas corporais com apoio de recursos que tiveram relação com nosso tema trabalhado, como por exemplo a música (“A carne”, de Elza Soares), fotográfias e frases.
         Nossa idéia era sempre fazer um trabalho coletivo e reflexivo, já que nos importava muito que os alunos soubessen o sentido e a razão do que estavam fazendo.
         Começamos a ir para a escola em setembro, nossas primeiras ações foram criar um cataz para difundir as aulas e distribuir-los pela escola. Também falamos com a diretora Cida, onde apresentamosles nosso plano de trabalho e o cartaz. Ela sempre foi muito amável e disposta a trabalhar juntos pelo bom desenvolvimento do projeto. Ela nos mostrou a escola, e disponibilizou um espaço para realizar a aulas, que ainda estavam em mantenção, mas que era bem amplo e ótimo para trabalhar dança.Também nos disponibilizou caixa de som e a sala de audivisuais quando a gente precisou, além de ela mesma nos ajudar com a difusão das aulas, indo sala por sala avisar os estudantes e divulgar uma ficha de inscrição para ter um controle dos alunos que participariam.

 
Então, marcamos de fazer nossas aulas todas segundas-feiras, no contra-turno, das 14:00 hrs às 15:00 hrs. Nossa primeira aula foi no dia 23 de setembro. Nesta tivemos a presença de 6 alunas do primeiro ano do ensino médio.
         Iniciamos a aula com uma pequena apresentação falando sobre o  projeto “Professores Dançantes”, continuamos com uma apresentação de cada um de nós, falando quem éramos e nossa ligação com a dança.
         Para conhecer as alunas fizemos uma dinâmica com um elástico, as pessoas em roda, uma pessoa pegava a ponta do elástico, primeiro só falando seu nome e logo passava para outra companheira, e assim depois de todas falarem seu nome, elas falavam alguma virtude e um defeito. Depois de todas passarem o elástico ficou uma enorme tela de aranha no meio da roda, pedimos para asegurarem o elástico em algum lugar da sala de algúm jeito que a forma do meio da roda não se perdesse. Uma vez conseguido isso, utilizamos issa estrutura para fazer dinâmicas de expresão corporal intervindo no espaço criado pelo elástico, tazendo elementos como equilíbrio, velocidade e níveis.
         Também fizemos nesse dia diversas  dinâmicas com  cadeiras. Cada um criou dois movimentos  utilizando  a cadeira para depois compartilhar com mais duas companheiras e assim irem somando seus movimentos até criar uma sequência de movimentos construído pelas três pessoas. Logo que todos finalizaram cada trio mostrou o criado. As atividades planejadas para o primeiro dia foram pensadas mais na interação com os alunos para conhecer seus interesses e afinidades. Foi uma experiência muito boa, já que elas gostaram muito das actividades. Foram muito participativas e compartilharam com nós seus interesses no que diz respeito ao que gostariam de aprender em relação a dança.
         Nas aulas seguintes, lamentavelmente, por motivos fora de nosso alcance, como cancelamento de transporte em cima da hora e feriados da escola, não foi possível dar continuidade no contra- turno, já que nas aulas posteriores não tivemos nenhum aluno.
         Foram várias as aulas onde a gente ia na escola e ficavamos na sala de professores esperando por alunos, tentamos diversas acões para chamar a atenção dos alunos a participar de nossas aulas, tais como voltar a distribuir cartazes pela escola e fazer difusão de sala por sala, mas nada destes métodos se mostraram producentes.
         Na procura de achar soluções, e falando com a diretora Cida , descubrimos que no mesmo horário uma turma de primeiro ano de ensino médio tinha aula de educação física e que o professor estava interesassado em trabalhar dança nas suas aulas. Então fomos falar com ele, contamos sobre o projeto, a temática que a gente queria trabalhar e nossa dificultade de não ter alunos para desenvolver o trabalho. Justamente concidiu que ele dentro dos conteúdos tinha que trabalhar dança e luta, mas que sentia insegurança, pelo desconhecimento na aréa da dança e que gostaria muito que a gente trabalhasse em conjunto.
         Então, a gente fez uma adaptação em nosso planejamento, devido a tématica que o professor estava trabalhando  e o pouco tempo que tínhamos para desenvolver tal trabalho, já que o ano escolar estava acabando, decidimos trabalhar com maculelê, já que sentimos que representava exatamente o interesse de ambas as partes, pois este é uma manifestação da cultura afro-brasileira em que se articula dança e luta.


         Na primeira aula a gente entrou em sala sozinhos já que o professor estava ausente, era um turma numerosa, de uns 37 alunos, falamos com eles resumidamente sobre quem éramos e qual que era nossa razão e objetivos a trabalhar com eles. Logo deixamos aberto para eles falarem sobre o que conhecian sobre dança e suas afinidades. A maioria falou que gostava de dançar, mas que não tinha conhecimento algum. Posteriormente, descemos para o pátio da escola para realizar algumas dinâmicas e pedimos para eles levarem cadeiras para o pátio. Foi um pouco difícil conseguir comunicar-se com eles, já que ficaram bem dispersos, mas conseguimos desenvolver o trabalho e finalmente foram bem participativos. Na aula siguinte a gente levou eles na sala de audivisual e mostramos um vídeo de uns 15 minutos que falava sobre a história do maculelê, além de distribuir para cada um uma folha com um resumo da história, uma pequena referência aos intrumentos utilizados e a letra de uma canção de maculelê. Despois de assistir o vídeo, fizemos uma roda de conversa.
         Na terceira e última aula, a gente foi ao anexo da escola, que era o espaço mais amplo para poder trabalhar dança. Primeiro, meu companheiro Vinícius fez um aquecimento com eles e depois eu passei alguns movimentos básicos e distribui pau de bambú para que cada um experimentasse os movimentos com o elemento que se realiza a dança. Para finalizar pedimos para eles fazerem duplas e experimentar os movimentos aprendidos dentro de uma dança espontânea desenvolvida pela dupla.


 
A pesar do pouco tempo e que a turma era numerosa eles trabalharam muito bem. Senti  que por ser uma dança desconhecida para eles, e que tem o fato de trabalhar com um elemento que são os bastões, atraiu muito a atenção e curiosidade deles, e contribuiu para serem muito dispostos e participativos.
         Foi uma experiência muito enriquecedora, apesar das dificultades do projeto “PIBID – Professores Dançantes”. Além de despertar ainda mais meu interesse pela dança, fez que descubrisse meu interesse pela educação, pois pra mim a dança é uma ferramenta de transformação social incrivelmente bonita e poderosa.




Material dídatico, distribuido aos alunos:
Maculelê


            O Maculelê é uma manifestação cultural oriunda cidade de Santo Amaro da Purificação – Bahia, berço também da Capoeira. É uma expressão teatral que conta através da dança e de cânticos, a lenda de um jovem guerreiro, que sozinho conseguiu defender sua tribo de outra tribo rival usando apenas dois pedaços de pau, tornando-se o herói da tribo.
            Sua origem é desconhecida. Uns dizem que é africana, outros afirmam que ela tenha vindo dos índios brasileiros e há até quem diga que é uma mistura dos dois. O próprio Mestre Popó do Maculelê, considerado o pai do maculelê, deixa clara a sua opinião de que o maculelê é uma invenção dos escravos no Brasil, assim como a capoeira.
Instrumentos

            O instrumento fundamental no maculelê é o atabaque. Na época de Mestre Popó eram usados três atabaques seguindo a formação do candomblé. Outros instrumentos como o agogô e o ganzá também eram tocados durante a apresentação. Hoje vemos apresentações de maculelê, na maioria das vezes somente com o atabaque.


“Maculelê – Boa Noite
Ô boa noite pra quem é de boa noite 
Ô bom dia pra quem é de bom dia 
A benção meu papai a benção 
maculêlê é o rei da valentia... 

Ô boa noite pra quem é de boa noite 
Ô bom dia pra quem é de bom dia 
A benção meu papai a benção 
Maculêlê é o rei da valentia...”


Vídeo mostrado aos alunos:

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